Estão em botão, na minha mão,
Sob a sombra da varanda, eu criança
E o Sol dourando então alcançaO vão, o sul real que raia da
Ilusão, que é o véu que veste
A matriz celeste das flores,
Pó de estrelas, a fina alquimia,
A essência. Um dia elas se abrirão,
Como olhos, asas de borboletas,
Visões efêmeras da perfeição.
Duram quanto uma canção,
Cadenciam o coração, tornam-
Se lugar comum, no bom sentido
Da sabedoria popular que se
Alastra como raíz que abarca
Terreno profundo, lugares
Ermos que perscrutam os
Termos do desapego, dança
Dos astros, achado, acasos, caos
Ordenado em grandes ciclos
De reconhecimento. Acordei.
A nota lá. Vibrando. Eu era
Etérea, pai. Eu caminhava.
Eu era elétrica, como a água.
Em sopro atento meus cabelos
Se oriçavam, iluminada que estava
Sob a Lua minguante escorpiana
E a Santa Ayahuasca, o vinho
Da Alma que me desencanta,
Curando a ressaca do vício
Com a magia arbórea que é
A Alquimia Essencial que me
Transborda e me assegura a mão
Pra eu poder ver nessa escuridão.
Eu sou filha da Terra que me
Conserva em seu seio, mesmo
Não estando desperta, ainda,
Mesmo claudicando, o chamando em vão, uma
Subvida que duvida que a chama divida e
Há de amanhecer, que é descrer
Na Roda Divina que nos faz perecer,
Não vê-se ainda que o homem
- Perdão, eu, eu pai, tenha sido feita,
Assim, artista, sonhadora, dona
De um equipamento mental
Feito para ver além porém sem
Força espiritual para manter
Um mínimo funcionamento do potencial
Cerebral que estabeleça a geral
Percepção fractal que vibra
Reconfigurando as certezas.
Proponho que se estabeleça
A firmeza na fé do desabrochar,
Da visão arcaica - radical, flores no meio
De minhas lembranças, outono,
Permeio, dias azuis e nuvens
Altas, noites frias, passeios
Sombrios, rodeada de folhas
Secas, reescritas, inscritas na terra, raízes
Que se deitam e renascem ilesas,
à flor da terra, de mão dada com a
Existência.
- Tau -

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