segunda-feira, 17 de maio de 2010

Soneto do Desmantelo Azul


- Carlos Pena Filho -


Então pintei de azul os meus sapatos

por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.


Para extinguir em nós o azul ausente

e aprisionar no azul as coisas gratas
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.


E afogados em nós, nem nos lembramos

que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplamos


e vimos que entre nós nascia um sul

vertiginosamente azul. Azul.